Atualmente, dos oitenta
e seis municípios que integram a mesorregião
Norte de Minas Gerais, somente sete conseguiram
a emancipação política e administrativa
no período do Segundo Império, no
século XIX: Rio Pardo de Minas (1833), Montes
Claros (1857), Grão Mogol (1858), Januária
(1860), Salinas (1880), São Francisco (1877)
e Monte Azul (1887).
A história primitiva
de Santo Antônio de Salinas teve início
no final século XVII, quando por volta de
1698, o bandeirante Antônio Luiz dos Passos,
oriundo da Bahia, chegou à região
de Rio Pardo de Minas para estabelecer fazendas
de gado. Ao percorrer a região mais ao sul,
habitada pelos índios Tapuias, descobriu
rio pouco caudaloso (atual rio Salinas) e ali encontrou
ricas jazidas de salgema – sal da terra –
produto muito caro na época devido à
escassez, que favoreceu o povoamento. Logo se formou
o arraial de Santo Antônio de Salinas.
Naquele período,
todo o Norte de Minas e Nordeste (Jequitinhonha
e Mucuri) de Minas Gerais faziam parte do território
da Capitania da Bahia, integrando a Comarca de Jacobina.
Porém, na década de 1750, com a descoberta
de diamantes na região do Arraial do Tejuco
(atual Diamantina), as duas mesorregiões
foram incorporadas à Capitania de Minas Gerais,
integrando a Comarca de Serro Frio, conforme Resolução
do Conselho Ultramarino de 13 de maio de 1757, com
o intuito de controlar e fiscalizar a extração
de ouro na região.
O arraial de Santo
Antônio de Salinas era parte integrante do
território do município de Minas Novas
que pertencia à Comarca de Serro Frio. Em
1833, com a criação do município
de Rio Pardo de Minas, o arraial foi incorporado
ao território do novo município na
condição de distrito. Em 1855, o distrito
de Salinas ganha o status de freguesia. No dia 18/12/1880,
é sancionada a Lei Provincial nº. 2.725,
pelo vice-presidente da Província de Minas
Gerais, Cônego Joaquim José de Sant'anna,
que cria o município de Santo Antôno
de Salinas. A mesma lei eleva o arraial a categoria
de vila.
Em 1887, no dia 4 de
outubro, a vila de Santo Antônio de Salinas
é elevada a categoria de cidade por meio
da Lei Provincial nº. 3.485. Aqui se comete
um erro histórico. Muitos acham que a data
de aniversário do município é
04/10/1887. Na verdade, a data correta é
18/12/1880 (data em que foi sancionada a Lei Provincial
nº. 2.725, que criou o município de
Santo Antônio de Salinas (a Lei nº. 3.485,
de 04/10/1887, apenas elevou o status de vila para
cidade). Se for considerado o período anterior
a 1880 (data de criação do município)
até o ano de 1833, quando passou de arraial
a distrito de Rio Pardo de Minas, a história
de Salinas alcança mais de 170 anos. É
um equívoco achar que a história de
um município somente se inicia quando é
criado por uma determinada lei, muito pelo contrário,
a história se inicia muito antes. A emancipação
é somente uma etapa no processo histórico
de desenvolvimento social, cultural, político
e econômico de uma região.
Com a criação
em 1880, o território do novo município
passa a ser composto pelos distritos de Santo Antônio
de Salinas (sede) e Água Vermelha (emancipado
em 1962).
Em 1892, foi instalada
a Comarca de Santo Antônio de Salinas, quando
o Poder Judiciário de Minas Gerais decide
estender os braços da lei para a região.
O Dr. Francisco de Assis Freitas foi o primeiro
Juiz de Direito da Comarca e o Tenente Coronel Rebeldino
Pinto Coelho o seu primeiro Promotor de Justiça.
Em 1923, por meio da
Lei Estadual nº. 843, o nome do município
foi alterado de Santo Antônio de Salinas para
SALINAS (nome atual). A mesma lei, ainda, incorporou
ao território de Salinas os distritos de
Amparo do Sítio (Rubelita), Santa Cruz de
Salinas e Taiobeiras, além de Águas
Vermelhas que desde 1880 já era distrito
do município.
Recentemente, em 1995,
os povoados de Fruta de Leite e Novorizonte, além
do distrito de Santa Cruz de Salinas se emanciparam
de Salinas (Lei Estadual nº. 12.030, de 21/12/1995).
Com isso, o atual território do município
passou a ser constituído de três distritos:
Salinas (sede), Ferreirópolis e Nova Matrona.
Possui área remanescente de 1.891 km²
e população de 37.373 pessoas (IBGE,
2007). Integra a bacia hidrográfica do rio
Jequitinhonha um dos principais rios de Minas Gerais.
Historicamente, Salinas
sempre teve vocação para o progresso
em face do dinamismo da sua economia e do seu povo,
tradicionalmente empreendedor. Há mais de
um século, desde os tempos do Império,
o município exerce liderança política
e econômica em toda a região do Alto
Rio Pardo (microrregião de Salinas) que possui
atualmente 17 municípios e ocupa área
de 17,1 mil quilômetros quadrados e um contingente
populacional de cerca de duzentas mil pessoas (IBGE,
2007).
De Salinas surgiram
muitos personagens que enalteceram a história
do município tanto no aspecto econômico
como político. Pode-se citar Darcy Freire,
Cel. Bernadino Costa, Cel. Idalino Ribeiro, Geraldo
Paulino Santana, Péricles Ferreira dos Anjos,
Anísio Santiago, dentre outros, que deram
grande contribuição para o desenvolvimento
da região.
Darcy Freire, engenheiro
formado pela Escola de Minas, em Ouro Preto, foi
político, fazendeiro e um dos maiores expoentes
da literatura de Salinas. Exerceu influência
em gerações de escritores salinenses.
O Cel. Bernadino Costa
(Bernadino Ferreira Costa) foi um respeitável
fazendeiro. Teve grande paixão pela política
e era chefe do partido Republicano no município
nas décadas de 1930-40. Trocava correspondência
com o presidente da República, Artur Bernardes,
e nutria forte oposição à política
local do situacionista Cel. Idalino Ribeiro.
O Cel. Idalino Ribeiro
dominou com mão de ferro a política
de Salinas por muitos anos até meados da
década de 1950. Foi um dos mais expoentes
políticos do Norte de Minas na segunda metade
do século XX (época dos coroneis que
dominavam a política local com mão
de ferro).
Em 1958, aos vinte
e um anos, o jovem Geraldo Paulino Santana, ao se
eleger prefeito de Salinas, encerrava o ciclo de
dominação política do Cel.
Idalino Ribeiro. Iniciava-se, então, meteórica
carreira política de um dos mais importantes
e influentes políticos da história
de Minas Gerais. Teve participação
decisiva em diversos governos de Minas Gerais sempre
ocupando destaque no meio político. É
tido como um dos mais importantes políticos
de Minas Gerais nos últimos 50 anos.
Também é
de Salinas o produtor da lendária e emblemática
cachaça Havana, Anísio Santiago (1912-2002).
A famosa Havana teve participação
histórica no processo de transformação
de Salinas na principal região produtora
da cachaça artesanal de todo o país.
O produtor Anísio Santiago formou toda uma
geração de produtores de cachaça
de Salinas.
Atualmente, a produção
anual de cachaça no município é
de cerca de cinco milhões de litros de cachaça
por ano sendo comercializada sob mais de 50 marcas
em todo o país e no exterior. A Associação
de Produtores Artesanais de Cachaça Artesanal
de Salinas (Apacs), que representa os produtores
do município, organiza em parceria com a
Prefeitura Municipal, desde 2002, o Festival Mundial
da Cachaça, evento que faz sucesso nacional
e vem atraindo turistas de todo o país e
do exterior ávidos por conhecer a famosa
cachaça produzida no município.
Dentre as dezenas de
marcas de cachaça produzidas no município
as mais tradicionais são: Asa Branca, Beija-Flor,
Boazinha, Canarinha, Cubana, Erva Doce, Indaiazinha,
Lua Cheia, Piragibana, Preciosa, Sabor de Minas,
Salineira, Seleta, Terra de Ouro e a emblemática
e lendária Anísio Santiago - Havana,
marca símbolo da região e reconhecida
Patrimônio Cultural Imaterial de Salinas por
meio do Decreto Municipal nº. 3.728/2006, na
gestão do prefeito José Antônio
Prates, fato inédito no país no segmento
de bebidas. Também é de Salinas o
maior produtor mineiro de cachaça artesanal
em volume de produção que é
comercializada sob as marcas Boazinha e Seleta,
do empresário Antônio Eustáquio
Rodrigues, um dos expoentes empresários de
Salinas da atualidade.
A cachaça de
Salinas, atualmente, é a segunda atividade
econômica do município com participação
de 33%, em média. Em 2006, foi responsável
por 46,4% da arrecadação de ICMS sobre
a produção da bebida em todo o território
mineiro, demonstrando a força da atividade
econômica. Definitivamente, a cadeia produtiva
no município encontra-se consolidada. O Governo
de Minas, em novembro de 2007, reconhecendo a importância
de Salinas no processo de produção
de cachaça artesanal de qualidade, em parceria
com a Prefeitura local, resolveu criar o Museu da
Cachaça de Salinas. O museu vem ratificar
a projeção do município no
cenário da produção de cachaça.
Outra importante atividade
econômica é o comércio que participa
com 50%, em média, na economia do município.
São centenas de pontos comerciais que demonstram
todo o empreendedorismo do salinense que está
sempre em busca do progresso e desenvolvimento pessoal
e da economia do seu município. Atualmente,
Salinas figura entre as dez maiores economias do
Norte de Minas, levando-se em consideração
a sua contribuição na arrecadação
de ICMS em toda a mesorregião norte-mineira.
O ICMS, imposto de competência estadual, é
um excelente indicador sobre o perfil econômico
de municípios e regiões.
No plano educacional,
estão sendo instalados vários cursos
de nível superior na cidade propiciando evolução
cultural e educacional do seu povo. Recentemente,
o Governo Federal autorizou a implantação
do inédito curso superior em produção
de cachaça na Escola Agrotécnica Federal
de Salinas.
No plano literário,
Salinas gerou poetas e escritores expressivos como
Abdênago Lisboa, Juventino Nunes, Darcy Freire,
Milton Santiago, José Antônio Prates,
Rafael Daconti, Aníbal Freire, Iara Tribuzi,
Narciso Durães, Maria Helena Costa, Lena
Guimarães, Carlita Guimarães, Argeu
Guimarães, João Costa, Aníbal
Freite, Danilo Borges, Maria Elza Sarmento (Sula),
Nádia Maria Cardoso Sarmento, Tiana Rodrigues,
Valdiney Barbosa, dentre outros.
A identidade
de um povo está intimamente relacionada com
sua história, seus costumes e sua cultura.
Historicamente, o povo de Salinas forjou um modo
de ser e viver. Nos tempos atuais de globalização
soube se firmar no mercado brasileiro produzindo
bebida que faz parte da história e cultura
brasileira: a cachaça.
(Cachaça Havana-Anísio
Santiago,
ícone da legítima cachaça
artesanal de Salinas) |
Caminhão Chevrolet
Leadmaster 1947, que pertence a família
de Anísio Santiago (1912-2002), foi
um dos primeiros veículos a circular
na região de Salinas na década
de 1940. |

Salinas |
Paço municipal. Foi
construído pelo Cel. Procópio
Cardoso de Araújo em 1934 para ser
um hotel. Atualmente pertence a prefeitura
e abriga a sede do executivo municipal e diversas
secretarias municipais. |
Avenida de acesso ao centro
de Salinas |
Salinas |
Praça Mendo Correa |
SALINAS, CAPITAL DA CACHAÇA:
O município
de Santo Antônio de Salinas foi criado pela
Lei Provincial nº. 2.725, de 18/12/1880, desmembrado
do Termo de Rio Pardo de Minas. A mesma lei elevou
o arraial a categoria de vila. Posteriormente, em
04/10/1887, a Lei Provincial nº. 3.485, elevou
a vila a categoria de cidade. Algumas décadas
depois, no dia 07/09/1923, por meio da Lei Estadual
nº. 843, o nome do município foi alterado
para Salinas (nome atual). Está localizado
na mesorregião Norte de Minas e integra a
bacia hidrográfica do rio Jequitinhonha.
Possui área geográfica atual de 1.897
quilômetros quadrados e população
de cerca de 37 mil habitantes (Censo 2007). Figura
como um das mais prósperas economias do Norte
de Minas Gerais. Atualmente, o município
é a principal referência nacional na
produção de cachaça artesanal
de qualidade com mais de 50 marcas e produção
anual que gira em torno de 5 milhões de litros.